sexta-feira, 28 de dezembro de 2012

Desporto no feminino


De entre os vários desígnios das políticas desportivas, já muitas vezes defendi neste espaço a necessidade de promover um apoio contínuo à formação de jovens atletas e a criação de condições para a afirmação do potencial dos nossos praticantes de maior valor nas diferentes modalidades.
Hoje, opto por focar a atenção numa outra vertente muitas vezes descuidada mas que julgo igualmente merecedora de um conjunto de iniciativas no quadro das políticas públicas para o desporto: a promoção de um acesso equitativo à prática desportiva por atletas de ambos os sexos.
Para muitos, esta poderá mesmo ser considerada uma não questão, na medida em que não se pode identificar bloqueios efectivos à prática do desporto por elementos do sexo feminino. Todavia, se analisarmos os dados estatísticos disponíveis verificamos que o desequilíbrio é ainda evidente.
A título de exemplo, note-se que há apenas 65 atletas femininas do concelho de Braga inscritas na Associação de Atletismo e repartidas por todos os escalões etários, dos benjamins aos veteranos.
No futebol, curiosamente, há apenas uma atleta registada pelo Arsenal Clube da Devesa enquanto no futsal Braga tem 3 equipas inscritas (Priscos, Esporões e Figueiredo) para um total de 44 atletas.
Nas outras modalidades, merece igualmente destaque o voleibol, o basquetebol e o hóquei, sendo porém evidente o défice face ao sector masculino.
Em Braga, de forma particular, os estímulos para o reforço da prática desportiva no feminino podem bem alicerçar-se no histórico de sucessos que a mesma sempre propiciou nas mais diversas modalidades.
Ao longo dos anos, Braga vibrou com as braçadas olímpicas da Ana Alegria, com as passadas determinadas das meninas da Sameiro que tantas conquistas registaram, com os ataques certeiros das nossas voleibolistas nos diferentes escalões etários… 
Ainda este ano, como esquecer o notável desempenho da Jéssica Augusto na Maratona dos Jogos Olímpicos de Londres que a fez credora do justo reconhecimento municipal na habitual sessão do Dia de S. Geraldo?
E porque não lembrar que, na última reunião do ano do Executivo Municipal, foram também destacados os créditos de Rita Vilaça – Vice-campeã nacional de ténis – e de Mélissa Antunes – membro destacado da selecção nacional de futsal que ficou em 2º lugar no Torneio Mundial recentemente disputado?
A margem de progressão é seguramente significativa, requerendo porventura uma maior articulação com o desporto escolar e universitário e a criação de estímulos adicionais à inscrição de atletas femininas, mediante uma majoração dos apoios agora atribuídos pela Autarquia.

quarta-feira, 12 de dezembro de 2012

Liga dos milhões


(Xeque Mansour)

Há não muitos anos, antes de António Salvador guindar o Sporting Clube de Braga a um patamar tal que tornou indiferente para os seus sócios e adeptos a sua proveniência empresarial, cheguei a acompanhar algumas discussões no Fórum SuperBraga em que se questionava se seria possível eleger para Presidente do Clube alguém que não contasse com uma forte capacidade financeira ou com o beneplácito da Autarquia.
Olhando à nossa volta, porém, parece cada vez mais distante a possibilidade de um comum sócio de um clube profissional poder assumir a liderança da colectividade, por melhor que seja a capacidade de gestão ou o conhecimento desportivo que possua.
Em Portugal, são múltiplos os exemplos da dependência dos mecenas locais no desempenho de determinadas colectividades, estando o seu maior sucesso ou insucesso ligado à disponibilidade de investimento dos seus dirigentes. Foi assim que se assistiu a subidas meteóricas e a descidas verdadeiramente a pique de diversos clubes nacionais.
Pelo contrário, podemos associar de forma inegável a estabilidade atingida pelos nossos vizinhos Gil Vicente e Moreirense ao envolvimento pessoal dos seus Presidentes, António Fiúza e Vítor Magalhães, e das respectivas equipas directivas.
Lá por fora, há já vários anos que muitos dos principais clubes se transformaram nos "brinquedos" dos magnatas mundiais, sejam estes “vedetas pop” (como Elton John, hoje Presidente honorário do Watford), investidores (como Malcolm Glazer, no Manchester United), Xeques (como Mansour, no City, ou Al-Thani, no Málaga) ou os novos milionários da Europa do Leste (de que o maior exemplo é obviamente Roman Abramovich e o seu Chelsea).
Um pouco por toda a Europa, seja nos novos potentados da ex-União Soviética, seja nos mais emblemáticos clubes de Itália, França ou Inglaterra sucedem-se as participações de detentores das grandes fortunas mundiais.
Há cerca de uma semana, o “As” divulgava uma notícia que testemunha que este fenómeno tende mesmo a ser institucionalizado nos principais emblemas. Assim, tal como já acontece no Real Madrid, também o Barcelona se prepara para aprovar uma alteração estatutária que requer que os candidatos a Presidente tenham que apresentar uma “garantia de capital” não inferior a um milhão de Euros.
Na mesma linha, o Real Madrid aprovou já em Setembro último uma alteração aos seus estatutos que requer que, para ser candidato à presidência do clube, será necessário um aval de 15 por cento do orçamento do clube, o qual ronda os 500 milhões de euros.
De volta a Portugal, quando constatamos que o passivo dos principais clubes oscila entre os 30 milhões de Euros do Braga, os 210 e 220 milhões de Porto e Sporting, respectivamente, e os 426 milhões do Benfica, a ilação parece óbvia: qualquer Presidente pode manter-se na liderança do seu clube, por mais descredibilizado que esteja o seu projecto e por mais catastrófico que seja o desempenho económico e desportivo, desde que garanta os milhões necessários no fim de cada mês. Não é Eng. Godinho Lopes? 

quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

Honra ao mérito


1. De entre os vários cidadãos Bracarenses ontem agraciados pelo Município no âmbito das efemérides evocativas do Dia de S. Geraldo, padroeiro da cidade de Braga, cumpre destacar a presença de diversos representantes do sector do Desporto, o que atesta da importância desta área no conjunto da Sociedade.
Como tantas vezes tenho referido neste espaço, o Desporto reveste-se hoje de um enorme impacto nos planos económico, social e cultural, sendo os seus principais protagonistas uma referência e um estímulo para os demais cidadãos na forma como encaram as suas próprias vidas.
E, neste plano, a lista de distinguidos serve também para demonstrar que o contributo de cada um para o desenvolvimento do Desporto no seu Concelho pode ser concretizado de diferentes formas, no plano dirigente, técnico ou enquanto praticantes.
Em dia de evocação internacional dos “voluntários”, cumpre lembrar que é precisamente nesse regime que boa parte daqueles que assumem funções directivas nas diversas colectividades exercem as suas funções, contribuindo com o seu tempo e capacidades para o desenvolvimento das mesmas.
A este título, podíamos encontrar na lista, a título póstumo, o ex-dirigente do ABC e Automóvel Clube do Minho, Álvaro Miranda, e o ex-Director do Aeródromo de Braga, Francisco Andrade. Ainda em exercício, e enriquecendo dia-a-dia o seu currículo e o prestigio do clube a que preside, António Salvador. Neste caso, e daí justificar-se a atribuição da mais alta referência municipal, o Sporting Clube de Braga tornou-se num verdadeiro cartão de visita da cidade de Braga sob a actual liderança e num dos seus principais argumentos de afirmação internacional.
Ao nível dos atletas, Braga reuniu ontem uma verdadeira elite (para)olímpica, ao juntar algumas das principais figuras nacionais nos Jogos de Londres.
Emanuel Silva, Jéssica Augusto e José Carlos Macedo protagonizaram algumas das maiores alegrias do desporto nacional no ano em curso, mas todos possuem um vasto e rico currículo nas suas especialidades a nível internacional e, para gáudio geral, enormes possibilidades de registar novos sucessos no futuro próximo.
Finalmente, e porque por trás do sucesso de muitos atletas está a “mão”, ainda que menos visível, dos seus técnicos, foi também justamente agraciado o Professor Luís Marta, responsável pelo excelente trabalho realizado pelos atletas paralímpicos Bracarenses.

2. Porque se quer que outros protagonistas prossigam estes êxitos, porque se assinala também por estes dias a Semana do Desporto Adaptado e porque se avizinha a época natalícia – sempre propícia à assunção de um espírito mais solidário -, permito-me lançar-lhe um apelo para que se junte à concretização de um repto de um atleta de Boccia do Sporting Clube de Braga.
Carlos Clemente necessita de cerca de 400 Euros para adquirir o material necessário para a prática desta modalidade (um kit de bolas personalizado). Se assim o desejar, envie o seu contributo ao cuidado da Secção de Desporto, para a redacção do Diário do Minho.

quinta-feira, 15 de novembro de 2012

Até quando?


I. Enquanto responsável máximo da Coligação “Juntos por Braga defendo que a Câmara Municipal deve responder favoravelmente aos pedidos de apoio à Rampa da Falperra que lhe vêm sendo formulados pelo Clube Automóvel do Minho, atendendo à enorme importância económica que esta prova assume no contexto local.
Mais do que um mero evento desportivo de referência, a Rampa foi / é / e deverá continuar a ser, um enorme cartão de visita da cidade, um foco de atracção de turistas que lota os hotéis do Concelho e uma iniciativa que movimenta várias dezenas de milhar de visitantes que em muito contribuem para o comércio e a restauração locais.
A Rampa garante, por si só, inúmeros postos de trabalho e contribui para o sustento de várias unidades de hotelaria, restauração e comerciais, sendo esta a perspectiva que mais que justifica o apoio municipal.
Não o assumir é mais um erro estratégico crasso com danos potencialmente irrecuperáveis. O alerta está feito, os esforços continuam a ser desenvolvidos, mas o tempo corre contra Braga.

II. No futebol, os Bracarenses têm novamente razões para ficarem apreensivos. Quando pareciam estar reunidas as condições para o clube estar na disputa pela principal prova nacional, eis que voltam a surgir os fantasmas em torno de fenómenos externos ao mero desempenho desportivo.
Nas últimas épocas, e em diversas ocasiões, as ambições Braguistas foram travadas de forma arbitrária por outros agentes que não os jogadores e técnicos dos adversários. Assim sucedeu com decisões de carácter disciplinar e com erros cirúrgicos de arbitragem, particularmente evidentes nos jogos contra os nossos adversários directos.
No passado Domingo, pode até admitir-se que o empate seria o resultado mais justo, atendendo ao desempenho das equipas nas duas partes. Neste particular, razão tem José Peseiro na necessidade de se perceber (e depressa) o porquê da apatia da equipa em determinadas partidas.
Mas a verdade é que o Braga viu ser-lhe negado um golo legal, que propiciaria o empate numa altura em que estava claramente por cima do jogo, e contra um adversário que tem sobretudo revelado uma enorme fragilidade mental em situações adversas.
O decisivo jogo contra o Porto pode trazer novos dados, e esclarecedores, a este propósito.


III. Em 1996, enquanto assistia à final da Taça de Portugal no estádio do Jamor, vi um outro adepto anónimo ser assassinado a algumas dezenas de metros de distância quando um bárbaro resolveu atirar um very-light para o meio de uma multidão.
Hugo Inácio de seu nome, foi condenado e preso, mas evadiu-se do estabelecimento prisional onde se encontrava a cumprir uma pena de quatro anos de cadeia por negligência.
Posteriormente recapturado longe dos focos noticiosos, o dito cujo voltou à berlinda pública na passada semana, ao ser detido no Estádio da Luz, no decurso do jogo Benfica - Spartak, após ter arremessado uma cadeira a uma agente de autoridade. 
E, sabendo-se que existe legislação que permite que certos indivíduos sejam banidos dos estádios do futebol, pode também aqui perguntar-se: até quando?

quarta-feira, 17 de outubro de 2012

Um clube / empresa a crescer


Tendo em vista a sua apreciação na Assembleia-Geral de Accionistas que terá lugar no próximo dia 26 de Outubro, o Conselho de Administração da Sporting Clube de Braga – Futebol, S.A.D. (SCB, SAD) tornou agora público o Relatório e Contas desta sociedade relativo ao exercício 2011-2012.
De entre os dados financeiros apresentados, e num contexto em que vemos as principais colectividades desportivas nacionais mergulhadas em significativos prejuízos, a SCB, SAD destaca-se por registar um resultado líquido positivo pelo terceiro exercício consecutivo (sendo que nos dois últimos chega a ultrapassar os 5 milhões de Euros).
De notar aqui que, se a principal fonte de receita no exercício 2010/2011 foi decorrente da participação em competições – nomeadamente a Liga dos Campeões-, com um valor que ultrapassou os 18 milhões de Euros, o exercício agora em apreço assentou o bom desempenho financeiro na alienação de passes de alguns dos atletas da sociedade.
De um ano para o outro, assinale-se também uma quebra de mais de 50% nas receitas de bilheteira, as quais se cifram em 2011/2012 em pouco mais de meio milhão de Euros, o que representa apenas 3,8% dos Proveitos Operacionais e menos de 2% dos Proveitos totais da SCB, SAD.
Neste particular, e do ponto de vista estratégico do Clube/SAD e da sua relação com a massa adepta, sustenta-se a lógica de promover o acesso gratuito/a baixo custo a muitos dos jogos, por via do efeito mobilizador de novos apoiantes, tendo até em conta o reduzido impacto das receitas possíveis de bilheteira nas finanças globais.
Ainda em relação aos dados referidos, note-se que a SCB, SAD parece estar a encetar um ciclo virtuoso em que ao bom desempenho desportivo – demonstrado pelos feitos alcançados nas diferentes competições nacionais e internacionais -, se associam os bons resultados financeiros, seja em termos de rendimento directo (como em 2010/2011) ou da valorização / alienação dos activos (como em 2011/2012).
De destacar também que pese embora a duplicação do passivo (de cerca de 14 para 29,5 milhões de Euros), parte substancial desta variação se explica precisamente pelas transacções efectuadas e pela necessidade de ressarcir os detentores de parte dos passes em causa. Assim, em correspondência directa com este incremento, também o activo da SCB, SAD cresceu cerca de 20 milhões de Euros, muito por força das dívidas de terceiros.
Em sentido contrário, o aumento do passivo bancário, de 3,2 para 7,4 milhões de Euros assumiu-se como uma aposta bem sucedida, mas de risco, que requer a continuidade do bom desempenho desportivo e da referida valorização / alienação de activos para garantir a sustentabilidade da SCB, SAD.
Para o futuro, creio que uma questão que deve merecer uma cuidada reflexão se prende com a relação entre a Sociedade e o seu principal accionista: o Sporting Clube de Braga.
Assim, o Clube deve beneficiar financeiramente de parte do bom desempenho da sua participada, de forma a que possa assegurar a continuidade do ecletismo que sempre o caracterizou e a evitar episódios menos prestigiantes como o que acaba de acontecer com o Atletismo.

quinta-feira, 4 de outubro de 2012

Well done, Karl!


Em todas as áreas da sociedade, é sempre de enaltecer quando alguém opta por colocar as suas capacidades e disponibilidade ao serviço das suas paixões, assumindo-se como agente de mudança.
Para muitos dos adeptos do Sporting Clube de Braga, Karl Donnelly não é nenhum desconhecido.
O Irlandês que se fixou há cerca de uma década na cidade dos arcebispos, cedo assumiu um especial protagonismo pelo seu entusiasmo Braguista, sendo interveniente regular nos diversos espaços de discussão das matérias ligadas ao clube.
Sucede que, de há alguns meses a esta parte, Karl Donnelly lançou-se num tão arrojado quanto meritório projecto: enquanto a discussão em torno da História do Braga promete estar para durar – com a polémica em torno da real data de fundação como elemento mais crítico – o mais internacional dos adeptos do Braga optou por seguir outro caminho e reconstruir uma história com base nas “estórias” de um leque alargado de protagonistas.
Do adepto anónimo ao ex ou actual dirigente, técnico e jogador, dos funcionários do clube ao mais ferrenho dos seguidores do Braga, todos foram desafiados a partilhar os “instantes” que marcaram a sua ligação com o clube.
De entre o alargado leque de questões que Karl lançou aos seus interlocutores neste projecto, podem encontrar-se matérias da actualidade do clube, opiniões sobre o momento desportivo do Braga ao longo dos últimos anos, análises sobre factores estruturantes das competições futebolísticas nacionais e, no que me parece o elemento mais distintivo e agregador desta iniciativa, a troca de experiências e sensações em torno do convívio com o Sporting Clube de Braga.
Daí que, por mais dispersas e diversificadas sejam as perspectivas e distintas as respostas apresentadas a cada uma das suas questões, estou certo que todos nos poderemos rever em muitos dos momentos, vivências e sensações que Karl irá compilar.
E, a ser assim, o livro que será o output final deste projecto poderá assumir-se como uma verdadeira bíblia Braguista, e um instrumento de identificação de afinidades e partilhas entre os adeptos do clube, reforçando o espírito de comunidade que os últimos anos fortaleceram a olhos vistos.
Também por isso, creio-o merecedor do apoio institucional do próprio Sporting Clube de Braga e dos seus dirigentes, ajudando a suprir a lacuna que os trabalhos de Barros Pereira, Evandro Lopes e outros ainda não conseguiram preencher.
Porque este será sempre um trabalho inacabado, permitir-me-á o Karl que alargue o esforço de divulgação que vem fazendo na internet e nas redes sociais, sugerindo ao estimado leitor que se junte à iniciativa "100 perguntas, 100 pessoas, 10.000 respostas", entrando em contacto com o Karl através do e-mail cemperguntas@gmail.com. 
Afinal, também aqui, juntos somos Braga. Obrigado, Karl! Well done!

quarta-feira, 19 de setembro de 2012

E começou a Champions!


Para muitos dos adeptos da modalidade – e num grupo em que me incluo convictamente -, a Liga dos Campeões é a melhor competição mundial de futebol, superando mesmo as principais competições de Selecções.
Se em relação às provas Continentais, a Champions tem a vantagem de concentrar os melhores jogadores de futebol do mundo inteiro – que, com raras excepções, actuam em clubes Europeus -, as vantagens em relação ao próprio Mundial são visíveis a três níveis: o maior nível de frescura física dos atletas face ao calendário habitual do Mundial, a (natural) maior fluidez de jogo de equipas que funcionam como um conjunto ao longo de todos os dias de uma época e, até, a existência de mais contendores de grande valia face às provas de Selecções.
A edição de 2012/2013 da prova parece não querer defraudar as expectativas. Depois de no ano passado Chelsea e Bayern de Munique terem demonstrado que os dois colossos espanhóis podem descer à terra, Real Madrid e Barcelona começaram a competição com grandes dificuldades, com vitórias tangenciais por três bolas a duas.
Mais o Barcelona, que defrontava um adversário de menor valia – o Spartak de Moscovo – e vinha de um período repleto de sucessos nas provas internas, do que o Real que, contra o campeão inglês – o Manchester City – e depois de um arranque de época confrangedor, consumou uma excelente exibição e uma vitória muito moralizadora.
Nestes dois dias, assistimos também à vitória tranquila do Porto em Zagreb (marcada pelo acto nobre do seu capitão, cujo pai falecera horas antes), à derrocada dos milhões do Zenit em Málaga, à exibição de classe do também milionário Paris Saint-Germain, às vitórias seguras de toda a armada alemã (B. Dortmund, Bayern e Schalke) e aos empates a zero do Benfica em Glasgow e do Milan, em casa, contra o Anderlecht.
Desta feita, o Manchester cumpriu contra o Galatasaray (depois da surpreendente eliminação na fase de grupos da época passada), tal como o fizeram os ucranianos do Shaktar contra uma das equipas menos cotadas – os dinamarqueses do Nordsjaelland, e o Arsenal em Montpellier.
Os bielorrussos do Bate Borisov poderiam ser a surpresa da jornada pela sua vitória clara em Lille, não fosse a vitória em Braga dos romenos do Cluj.
Ontem, no facebook, alguém comentava que a diferença entre o Cluj e a equipa do Sindicato dos Jogadores é que numa os atletas tinham contratos e na outra não.
Glosava-se assim com o facto de a equipa romena agregar vários atletas que passaram por diversos clubes nacionais e que foram caras conhecidas das Ligas profissionais, entre os quais, vários ex-Bracarenses.
No Municipal de Braga, o Cluj assumiu as suas limitações e soube tirar partido das falhas do adversário, contando com um Mário Felgueiras em grande forma entre os postes.
A Champions já começou? Não, arranca no dia 2 de Outubro, na Turquia.

quarta-feira, 8 de agosto de 2012

Obrigado, Mané!

Corria o final do mês de Julho de 2004 quando me desafiaram a assistir a um treino de um promissor jovem canoísta Bracarense junto à praia fluvial de Merelim.
Junto com vários outros jovens que então praticavam a modalidade, e, diga-se, com excelentes resultados, conheci o atleta de apenas 18 anos que conquistou um excelente 7º lugar nos Jogos Olímpicos de Atenas que se realizaram no mês de Agosto seguinte.
Mais do que os dotes desportivos, que o tempo viria a confirmar, impressionou-me o carácter e a determinação desse Bracarense e do seu treinador, José Sousa, que os levou a lutar contra todas as adversidades e recorrentes faltas de apoio para somar êxitos ao seu currículo.
Com a felicidade que outros não tiveram, acabaram por se mudar para o vizinho Náutico de Prado – cansados dos insistentes adiamentos das promessas municipais de criação de uma pista náutica e de realização de obras na sede do Clube – e, mais recentemente para o Sporting Clube de Portugal (clube em que, apesar das dificuldades económicas conhecidas ainda se continua a pugnar por um verdadeiro ecletismo desportivo).
Quando o apresentei como meu Mandatário para a Juventude nas Eleições Autárquicas de 2005, realcei precisamente esse aspecto do exemplo que o mesmo corporizava de luta contínua pelo sonho e do esforço que se exige a todos os jovens para conseguirem concretizar os seus objectivos em qualquer dos contextos das suas vidas.
O desempenho nos Jogos Olímpicos seguintes – Pequim 2008 – não foi tão brilhante e o mesmo acabaria eliminado nas meias-finais das duas provas que disputou, o que talvez tenha desincentivado a reedição da recepção na Praça do Município que merecera quatro anos antes.
Depois de vários outros brilharetes em provas internacionais, o jovem Bracarense chegou ontem aos céus do Olimpo e voltou a devolver a alegria a todos os Portugueses, com a conquista da primeira medalha para o nosso País nos Jogos Olímpicos de Londres, em parceria com o também minhoto Fernando Pimenta.
Emanuel Silva, claro está, terá atingido ontem um dos momentos mais altos da sua já longa mas igualmente promissora carreira.
Pessoalmente, vivi com enorme alegria, entusiasmo e até emoção a prova de ontem dos nossos canoístas, muito por força de ter bem presente a imagem desse primeiro encontro de 2004 com o Emanuel.
Nuns minúsculos arrumos, quase sem iluminação, ele e os demais atletas do Fluvial de Merelim, improvisavam equipamentos de treino com vários artefactos domésticos, a simular halteres e outros suportes desportivos.
Acho que, desde esse dia, nunca mais desdenhei da performance daqueles que nos representam e que, sem conseguirem ser os melhores dos melhores, conseguem juntar-se a um leque restrito dos mais competentes nas suas especialidades no mundo inteiro, tendo por trás realidades como a que conheci em Merelim.
E, por outro lado, reforcei a convicção de que nenhum Autarca pode sentir a consciência leve por esbanjar enormes volumes de recursos financeiros em equipamentos de reduzida utilidade ou de utilidade alguma como em casos que nos são próximos, e deixar escapar por entre os dedos as oportunidades que com apoios quase simbólicos outros Emanueis mereciam.
E este também. Parabéns, Mané!

quinta-feira, 5 de julho de 2012

Y viva España?



Até ao início da noite da passada Quarta-feira, e na opinião de uma franja substancial dos adeptos e comentadores lusitanos, a Selecção Espanhola estava claramente ao alcance da equipa nacional, nunca se exibiu no Europeu ao nosso nível e apresentava um modelo de futebol aborrecido e quase capaz de desvirtuar a filosofia da própria modalidade.
Neste particular, mesmo fora das nossas fronteiras, apregoava-se já que o anunciado triunfo Português iria traduzir-se na machada final nesse estilo de jogo, numa tarefa cometida aos amantes do futebol em estado-puro a que o triunfo do Real Madrid na Liga Espanhola sobre o Barcelona dera início há poucas semanas.
Todavia, a partir da manhã seguinte, vergados ao infortúnio de uma derrota tão amarga quanto injusta, já se voltava a admitir a superioridade de “Nuestros Hermanos” para continuar num crescendo esfusiante, coroado com os comentários apoteóticos à vitória da Espanha na final de Domingo.
Esqueçamos, porém, o nosso jogo e as circunstâncias da fortuna que, para pesar nosso, impediram que a “melhor selecção do mundo” assistisse à final do Europeu pela TVE.
Confesso que me causou uma enorme estranheza ler os comentários superlativos à exibição da Espanha na partida decisiva e à forma como se procurou demonstrar a justiça do seu triunfo na prova com base no resultado dessa final.
Sejamos objectivos: a Espanha marca o primeiro golo por entre alguns momentos de menor acerto da defesa italiana mas sujeita-se depois a uma importante reacção italiana até ao final da primeira parte, período em que Casillas faz um punhado significativo de defesas decisivas.
O segundo golo espanhol, quase em cima do intervalo, é um lance extraordinário, mas surge claramente contra a corrente do jogo.
Depois de um esboço de reacção italiana no início da segunda parte, o jogo fica sentenciado com a lesão de Thiago Motta, pouco depois de a Itália ter esgotado as suas substituições, e com cerca de 60 minutos de jogo.
Podemos, assim, olhar para o que se passou até aí ou focar-nos no que uma selecção composta por jogadores de grande qualidade fez durante trinta minutos (ou podemos mesmo dizer 10) contra uma equipa física e moralmente destroçada e em inferioridade numérica num jogo desta natureza.
A coroar tal exaltação, a designação de Iniesta como melhor jogador do Europeu ajuda também a perceber quão tortuosos são os caminhos do futebol…
Seja como for, é óbvio que não se pode exagerar nas críticas aos agora tricampeões, tanto mais que o futebol do tiki-taka é bem mais atraente do que o catenaccio italiano, que a solidez fria de vários triunfos germânicos e que “aquela coisa” que guiou os gregos ao triunfo no “nosso” Europeu.
Mas a verdade é que em 6 partidas do Europeu, a “Espanha maravilhosa” apenas surgiu contra a Rep. Irlanda, no jogo sem adversário dos Quartos-de-final, no prolongamento do jogo contra Portugal – ao colo de Pedrito – e na celebração final de Domingo passado.
Pelo meio, perdeu-se a Holanda sem sequer entrar no Europeu, as atractivas Rússia e Croácia – que mereciam ter ido mais além -, a poderosa Alemanha enebriada pelo melhor Balotelli e, claro está, a nossa Lusitana paixão.
Parabéns, sim. Ma non troppo…    

quinta-feira, 21 de junho de 2012

Um sonho em construção


Olhemos para Portugal e para a Selecção que vai sendo cada vez mais Nacional à medida que os resultados surgem de feição e que a equipa vai ultrapassando sucessivos adversários no Euro 2012.
Tal como referia no meu artigo anterior, pese embora contemos nas nossas fileiras com o melhor jogador europeu e com vários outros de nível mundial, poucos eram os portugueses que depositavam reais esperanças no nosso desempenho nesta competição.
Mas, nesse mesmo texto, não deixava de admitir que esse estatuto de colectivo não favorito podia até jogar a nosso favor, a exemplo do que sucedeu com outras equipas noutras competições durante esta época.
Depois de um arranque titubeante contra a Alemanha, em que é difícil dizer que o “massacre” final traduziria a feição do jogo caso a equipa tivesse entrado com outra atitude – nesta como em outras “ciências” só em laboratório é que se consegue isolar os efeitos de uma só variável -, as melhorias foram sensíveis contra a Dinamarca e a Holanda.
No primeiro caso, com alguma displicência inicial e alguma fortuna no final, o resultado acabou por configurar a diferença justa de valores das equipas em contenda.
No segundo caso, o golo holandês espicaçou-nos para uma exibição de gala, apenas comparável nos tempos mais recentes à da goleada à Espanha, que agora se deseja repetir no próximo dia 27 (assim a Ibéria esteja duplamente representada nessa meia-final).
Nesta fase de grupos, muito se escreveu e disse sobre o papel e o desempenho da nossa principal estrela, Cristiano Ronaldo, no quadro da actuação global da Selecção.
Sem entrar na dicotomia esquizofrénica entre o “bestial” e a “besta”, há dados que são factualmente incontestáveis: por mais que Ronaldo vá galgando degraus nas estatísticas dos melhores de sempre do futebol português – e só poderia ser assim para quem participa neste patamar competitivo de topo desde muito novo (este é já o seu 3º Europeu) -, Cristiano raramente se apresenta na Selecção Nacional ao nível que se exibe nos clubes que representa.
E, neste particular, custa-me subscrever a tese da pressão que tem “sobre os seus ombros” porque, como bem demonstra o passado recente, raramente CR7 “carregou a equipa às costas” ou foi o elemento que fez a diferença. Mesmo no jogo da Holanda, em que foi justamente considerado o melhor em campo, Ronaldo teve ao seu lado vários colegas com exibições soberbas, desde a linha defensiva, passando pelo meio-campo, até ao outro extremo do ataque.
Neste âmbito, o que se deve esperar do nosso melhor jogador é que seja capaz de compensar os dias maus dos seus colegas e que, nos seus dias bons, demonstre o porquê de estar em condições de disputar o título de melhor jogador mundial com alguém tão fora-de-série como Lionel Messi. Com humildade, espírito de equipa, entrega e concentração e a genialidade que se lhe reconhece.
E isto, pouco tem a ver com falhar um ou mais golos de baliza aberta em momentos determinantes dos jogos, como aconteceu com Ronaldo no jogo da Dinamarca. Aliás, ao longo dos anos, quantos dos melhores do mundo não falharam até penalties em finais?
Para o que resta desta prova, a sensação / esperança que fica é que Portugal tem sido capaz de fazer bons desempenhos mesmo sem “O” Ronaldo, razão pela qual se pode esperar tudo se ele (e a equipa) mantiver a bitola exibida frente à Holanda.
Tudo, mesmo!... Força, Portugal!

quinta-feira, 7 de junho de 2012

Um Euro atípico


No plano estritamente desportivo, acompanharei este Europeu de Futebol com o mesmo entusiasmo e apreço com que sempre segui as grandes competições internacionais, reiterando a convicção de que “o Mundial sem o Brasil e a Argentina” continuará a ser uma prova espectacular para todos os amantes da modalidade.
Desta feita não houve sequer surpresas de maior no apuramento e estarão presentes as melhores equipas do Continente, representando mesmo os diferentes quadrantes geográficos: os nórdicos (Suécia e Dinamarca), o centro da Europa (França, Alemanha e Holanda), os representantes da Europa do Leste (dos anfitriões -Ucrânia e Polónia- à Rússia, Rep. Checa ou Croácia), os Britânicos e seus vizinhos (Irlanda e Inglaterra), a franja do Mediterrâneo (Portugal, Espanha, Itália e Grécia).
A título individual, sabemos que as sempre arreliadoras lesões (muitas delas de última hora) acabam por privar as diferentes selecções e os espectadores do contributo de algumas das potenciais estrelas da competição (como é o caso de Villa ou Gerrard). Mas há também as opções questionáveis, os castigos e até problemas com a justiça, como aconteceu com o Italiano Criscito.     
Seja como for, sobra muita qualidade para proporcionar excelentes desafios, numa competição em que apesar da qualidade reconhecida a várias equipas (mas com vantagem para Espanha e Holanda – as finalistas do último Mundial) tudo pode em tese acontecer.
E, entrando no domínio afectivo da nossa Selecção, é isso que nos pode animar. Afinal, apesar de contarmos com o melhor jogador europeu e com alguns outros jogadores do topo mundial, a equipa tarda em afirmar-se como um colectivo forte e mais parece entregue ao azar do destino que a colocou no “Grupo da morte”, junto com a Dinamarca, Holanda e Alemanha.
Para cúmulo, depois dos resultados e exibições dos últimos particulares, a mesma parece ter perdido a confiança e é já alvo do desprezo dos seus principais rivais.
Ora, numa temporada em que a nível nacional e internacional se viu equipas favoritas a tombarem perante adversários pragmáticos e lutadores nas finais de diversas competições, restar-nos-á talvez aspirar a ser uma espécie de Grécia do Europeu do nosso desencanto.
A este propósito, Portugal parte até para esta competição sem a identificação maciça dos cidadãos nacionais, provavelmente mais entretidos com as agruras do dia-a-dia do que com o titubeante desempenho da equipa de todos nós.
Aliás, em contraponto à imagem da “Selecção porta-bandeira do orgulho ferido de uma Nação e elemento revitalizador do nosso ânimo colectivo” que se queria promover através de campanhas como a da GALP, parece estar a ter mais acolhimento a revolta contra a opulência exagerada dos nossos representantes (que terão o maior custo de alojamento de entre todos os participantes na prova).
Aqui, para Portugal e muitos outros países presentes não deixa de ser curioso que o esforço para permanecer no Euro seja muito menor no rectângulo de jogo do que em outros campos de batalha…
Amanhã, às 17:00 horas, a bola vai começar a rolar. E assim continuará, de forma quase ininterrupta, até à noite do próximo dia 1 de Julho.
Quanto aos nossos, como na música dos Del Amitri que serviu de hino à participação da Escócia no Mundial de 1998, resta-nos cantar: "Don’t come home too soon…

quinta-feira, 24 de maio de 2012

Braga, Cidade do Desporto?


A Associação Europeia de Capitais de Desporto (ACES) atribuiu a Guimarães o estatuto de Cidade Europeia do Desporto em 2013. Por esta via, Guimarães tornou-se na primeira cidade portuguesa a ser declarada Cidade Europeia do Desporto, vendo coroado de sucesso o pioneirismo desta candidatura, com a qual se pretendeu dar sequência ao reconhecimento patrimonial e cultural de que a cidade usufruiu e usufrui.
Pessoalmente, não alimento as disputas bairristas para lá da esfera estritamente desportiva / clubística, entendendo, como tantas vezes referi, que, numa óptica de desenvolvimento regional, o “bem dos nossos vizinhos”, nas mais diversas esferas, contribui decisivamente para o nosso bem colectivo e para o bem de Braga em particular.
Todavia, quando um qualquer Bracarense anónimo se dá conta da atribuição de mais este reconhecimento a Guimarães pode com legitimidade perguntar: E porque não Braga?
Ora, sem grande esforço, há múltiplas respostas que se podem aduzir como determinantes.
A primeira, não totalmente deslocada da verdade, é que, desta feita, os responsáveis políticos da maioria socialista Bracarense não puderam usufruir de uma proposta neste sentido dos Vereadores da Coligação “Juntos por Braga”.
No caso da Cidade Europeia do Desporto não se passou o mesmo que com a Capital Europeia da Juventude – de que esses membros da Câmara nunca tinham ouvido falar: a Oposição não lhes entregou a proposta numa bandeja de forma a que eles pudessem começar por a chumbar em reunião camarária para depois a concretizarem como sua, pouco depois das últimas Eleições Autárquicas.
A segunda, prende-se com a natureza dos equipamentos desportivos disponíveis no Concelho de Braga: então a nossa Autarquia não foi das que mais investiu em infra-estruturas desportivas ao longo dos últimos anos, qualificando a prática desportiva e catalisando o bem-estar da população de uma forma equilibrada por todo o Concelho, como até atestam os anuários estatísticos regionais divulgados?
Mas, será assim? Será que Braga dispõe de equipamentos desportivos condizentes com uma prática eclética das diversas modalidades? Ou teremos um Parque de Exposições com uma utilização muito condicionada? E um Pavilhão Multiusos que nunca saiu do papel? E uma Piscina Olímpica em que só saiu “papel” (oito milhões de Euros para ser mais preciso) e onde só entrou água da chuva? E temos ou não um dos clubes mais representativos (o ABC de Braga) a actuar num pavilhão obsoleto? E o que dizer da enorme procura insatisfeita pela prática de natação? E das dificuldades do Rugby, do futebol americano e de outras modalidades emergentes para encontrar campos de treinos e jogos compatíveis com os horários dos muitos jovens que mobilizam? E dos escassos apoios à prática de desporto pelos cidadãos com necessidades especiais (cujo reconhecimento nos últimos Galardões foi manchado pela inexistência de uma rampa de acesso ao palco no Auditório do PEB)? E da ocupação voraz de campos de futebol pelas várias equipas do Braga face à não concretização do ambicionado projecto da Academia Desportiva?
E podíamos falar da ausência de grandes eventos desportivos regulares (até a Rampa volta a estar em risco), ou da inexistência de apoios técnicos estruturados à prática desportiva e de uma política de apoios financeiros municipais, injusta e incoerente.
E tanto, tanto mais que separa a ambição de uns da realidade de outros.  

quinta-feira, 10 de maio de 2012

Restos


Enquanto os adeptos do desporto se preparam para as emoções de duas das mais relevantes competições internacionais – o Campeonato Europeu de Futebol e os Jogos Olímpicos -, as provas nacionais das diferentes modalidades caminham progressivamente para o final.
No plano futebolístico, a uma jornada do final do campeonato, está praticamente tudo decidido: o título nacional novamente entregue ao Futebol Clube do Porto; o Benfica com acesso directo à fase de Grupos da Liga dos Campeões; o Sporting e Marítimo com lugares garantidos na Liga Europa; o Guimarães e a Académica a disputarem a última vaga nesta competição, ainda que em função do resultado da Final da Taça e não do campeonato em si.
Quanto ao Sporting Clube de Braga, conseguiu recuperar do bloqueio mental das últimas jornadas e assegurar o seu justo lugar na disputa do acesso à Liga Milionária da próxima época – o qual se poderá mesmo iniciar no playoff decisivo, segundo informações ontem veiculadas, e em caso de vitória do Chelsea na final da Liga dos Campeões do próximo dia 16.
Finalmente, permanece em aberto a definição do último lugar de descida, com o foco das atenções a centrar-se no Minho no próximo fim-de-semana. Afinal, será em Barcelos que o Feirense tentará superar o resultado que a Académica poderá obter em Guimarães, tentando uma ultrapassagem final sobre a linha da meta.
Seja como for, de acordo com a proposta já aprovada na Liga de Clubes e que carece ainda da validação da Federação, os dois clubes já despromovidos terão que disputar uma liguilha a duas mãos com os terceiro e quarto classificados da II Liga (que sairão do grupo Moreirense, Desp. Aves e Naval), de forma a apurar quem assegurará bilhete na Primeira Liga da próxima temporada.
Com lugar já garantido nesta liguilha encontra-se a União de Leiria, o clube que conseguiu centrar sobre si o foco das atenções, nacionais e internacionais, neste término da competição, depois de se apresentar a jogo com apenas 8 atletas numa partida oficial de um campeonato profissional.
Há não muito tempo, a crise financeira que assolou diversos clubes da então Liga de Honra, levou a que em vários jogos surgissem atletas a jogar fora das suas posições tradicionais, com destaque para formações que continham mesmo um ou dois guarda-redes como jogadores de campo.
A situação nunca chegou, porém, a este estado calamitoso, que pôs decisivamente em causa a verdade desportiva da prova e que ameaçou torná-la uma autêntica fraude, caso se tivesse consumado a desistência do Leiria a duas jornadas do fim.
Num artigo de Junho de 2009 neste mesmo espaço escrevi: “fica a natural apreensão pelo cenário de que tudo poderá permanecer na mesma e que, por mais que existam pomposos compromissos e deliberações, os mecanismos jurídico-administrativos que tutelam o funcionamento das competições não garantam esta condições essencial: só pode participar nestes campeonatos quem possuir sustentabilidade financeira para fazer face a todas as suas obrigações.
Ora, mesmo admitindo que certos factores de cariz extraordinário pudessem pôr pontualmente em causa tais alicerces das finanças dos Clubes/SADs concorrentes, nada foi feito para assegurar que os atletas e técnicos envolvidos terão um fundo de garantia que lhes permita receber sempre os seus honorários a tempo e horas.
Como parece claro, tudo permanece totalmente actual. Até quando?

quarta-feira, 25 de abril de 2012

Moura Machado


Hoje assinala-se um momento especial para o desporto Bracarense, na medida em que na reunião do Executivo Municipal de Braga se delibera formalmente juntar à vasta lista de topónimos municipais o nome de um dos seus mais insignes dirigentes.
Em bom rigor, é natural constatar que todos vivemos, trabalhamos e passamos por Ruas e Avenidas, de maior ou menor importância, em que desconhecemos os reais contributos dos seus titulares para as respectivas Comunidades.
Daí que, neste âmbito, seja especialmente relevante o momento da atribuição do topónimo, porquanto o mesmo traduz o especial reconhecimento dos contemporâneos da personalidade em questão.
No caso de Fernando Moura Machado, tal reconhecimento é absolutamente justo, em linha com a rectidão e dedicação à causa pública que demonstrou de forma continuada e unanimemente reconhecida nos mais diversos domínios de actividade (no desporto, na política, no associativismo, nas causas sociais ou culturais).
Foi o primeiro membro da família a exercer funções de Vereador na Câmara Municipal de Braga (também pelo PSD, na década de 80), atribuindo-se-lhe um especial papel na aquisição do Teatro Circo pelo Município (de que foi Presidente do Conselho Fiscal até pouco tempo antes da sua morte em 2010).
De entre todas as suas áreas de intervenção, porém, o desporto foi seguramente a “menina dos seus olhos, como jogador de futebol no Atlético Clube de Braga, Futebol Clube de Braga e Sporting Clube de Braga, como Presidente da Assembleia Geral da Associação de Desportos do Minho, ou como Secretário-Geral da Associação de Futebol de Braga, cargo que exerceu durante cerca de 20 anos, assumindo depois a presidência da mesa da Assembleia Geral da instituição.
Depois, houve claro o “seu” Sporting Clube de Braga, clube que viveu apaixonadamente durante os seus mais de 55 anos de filiação, sendo presença incontornável de todos os jogos no “Velhinho” Primeiro de Maio e no Campo da Ponte.
Numa daquelas partidas do destino, não pôde desfrutar do período mais exuberante do Clube no plano desportivo, que se vem assinalando precisamente de há três épocas a esta parte.
Aí, exerceu funções de Secretário-Geral, Presidente da Assembleia Geral e Presidente do Conselho Fiscal, sendo também Sócio Honorário do Clube.
Ao longo da sua longa e profícua vida de dirigente desportivo reconhecido nacionalmente, recebeu a Medalha de Bons Serviços Desportivos da Secretaria de Estado do Desporto e a Medalha de Ouro da Federação Portuguesa de Futebol, entre muitas outras comendas, louvores e condecorações.
Em 1992, foi também agraciado com a Medalha de Ouro da Cidade, concedida pela mesma Câmara Municipal de Braga que hoje irá perpetuar o seu nome num topónimo local.
E, como antes referi, com inteira justiça, porque, tal como na citação que me atribuiu numa remota entrevista que concedeu em 1985, é mesmo caso para dizer: “Oh Avô, tu és mesmo bom!

quinta-feira, 12 de abril de 2012

Tempo de seguir em frente


A quatro jornadas do fim da prova, com menos cinco pontos (que são na prática seis) do que o líder e ainda a um ponto (que são dois em caso de igualdade) do segundo classificado, o Sporting Clube de Braga parece ter visto novamente adiado o sonho da conquista do campeonato.
Para os adeptos do clube, este é um momento particularmente amargo, tanto mais que não foi sequer possível desfrutar uma liderança conquistada a pulso, depois de uma série extraordinária de vitórias consecutivas e de exibições que conquistaram o apreço de qualquer comentador independente.
O futebol é, porém, um contínuo carrossel, reiterando sistematicamente a consagrada ideia de que as “bestas” de hoje são os “bestiais” de amanhã e vice-versa.
Para quem acompanha os comentários que se seguiram à dupla derrota com os outros candidatos ao título, o “Bragão” que enchia os relvados com desempenhos de alto gabarito, capazes de vergar qualquer adversário, voltou a ser o “Braguinha”, a equipa ainda incapaz de competir com os “Grandes” e de ter estofo para estas pelejas.
Mesmo a título individual, o artilheiro Lima foi incapaz de ampliar distâncias para o inócuo Cardozo que se exibiu nestas duas últimas jornadas; tal como em Dublin, Mossoró voltou a falhar o golo decisivo na ocasião que parecia impossível desperdiçar; até o genial Hugo Viana – por muitos considerado o melhor médio do campeonato – se “vulgarizou” e assumiu o papel de “coveiro” da equipa na partida caseira contra o Porto, como que oferecendo o golo ao adversário.
Em sentido contrário, Quim redimiu-se do “acidente de Barcelos”, juntando a várias outras boas defesas um dos momentos mais belos da época, quando negou a Hulk um golo tão extraordinário quanto a defesa que efectuou.
Voltando ao plano colectivo, o Braga destes dois últimos jogos não foi de facto uma equipa verdadeiramente afirmativa e em linha com o que as circunstâncias exigiam e a singularidade do momento justificava.
A questão não se põe tanto no plano exibicional, dado que em qualquer das partidas a equipa até dispôs de boas oportunidades para marcar e nunca foi “encostada às cordas” pelos adversários, mas sobretudo ao nível da atitude e da postura com que os jogos foram encarados.
Afinal, não transpareceu o querer e o recurso à reserva última de energias para ultrapassar as adversidades, como em certo sentido o Benfica demonstrou na partida do Estádio da Luz e que lhe valeu uma (então) preciosa vitória. Na segunda partida, ao Porto bastou ser mais matreiro e experiente para “matar” o jogo sem ter que fazer uma exibição extraordinária.
Na antevisão do jogo da Luz, Leonardo Jardim disse que “normalmente, quem joga para empatar, acaba por perder”. O jogo deu-lhe razão?
Mais uma vez, como em tantas ocasiões anteriores, o Braga viu ser-lhe escamoteada uma grande penalidade, com o resultado em 0-0 a cerca de vinte minutos do fim o jogo. Segundo o critério de alguns, e a ser concretizada, seria porventura bem mais decisiva que qualquer outra não assinalada no primeiro minuto de um jogo.
Seja como for, não é tempo de chorar sobre o título derramado. Mesmo considerando que a matemática e o calendário ainda permitem todo o tipo de conjecturas, o que deve sobressair é o contínuo crescimento do Clube e o respeito que hoje já granjeia a nível nacional e internacional.
O futuro é inexorável e o Braga ficou duas semanas mais perto da conquista do seu primeiro campeonato, 
Que não vai tardar.

quarta-feira, 28 de março de 2012

Somos os Primeiros!


“(…) Ir em frente, ir a seguir
A ausência de ter um fim
E da ânsia de o conseguir! (…)
Viajar, Fernando Pessoa

O Sporting Clube de Braga conseguiu a melhor classificação da sua história na principal prova do futebol sénior na época desportiva 2009/2010, rompendo com a barreira psicológica dos 4ºs lugares antes alcançados, para finalizar o campeonato em segundo lugar, a 5 pontos do vencedor, o Sport Lisboa e Benfica.
O percurso nessa época foi, porém, substancialmente diferente daquele que a equipa realizou na época em curso, com a particularidade de o Braga ter iniciado a prova na liderança e ter mantido essa posição até à 19ª jornada, com excepção de uma descida transitória ao segundo lugar na 8ª jornada, após um empate fora com o Rio Ave.
Mesmo a primeira derrota então sofrida em Guimarães na 10ª jornada não pôs em causa um estatuto conquistado com uma série de vitórias que incluiu jogos em Alvalade e frente a Benfica e Porto, no Municipal.
Com Domingos Paciência, essa surpreendente afirmação de qualidade do Braga acabaria por soçobrar com uma copiosa derrota no Dragão (5-1) na 20ª jornada da prova (a 21/02/2010), altura em que a equipa desceu para o segundo lugar onde viria a acabar a competição. Cerca de um mês depois, uma polémica derrota no Estádio da Luz viria a arredar o Braga da luta pelo título, pese embora o equilíbrio pontual se tenha mantido até ao final.
No cômputo geral, o Braga dessa época registou 22 vitórias, 5 empates e apenas três derrotas, com um goal-average final de 48-20.
A título de curiosidade, refira-se que o melhor marcador da prova viria a ser Óscar Cardozo, com um total de 26 golos apontados – apenas mais um que o “estreante” Radamel Falcão.
Dois anos e 27 dias depois, o Braga voltou esta semana à liderança isolada da Primeira Liga, fazendo ecoar nas ruas da Bracara Augusta o lema que a RTP consagrou e que encima o presente texto.
Desta feita, porém, o trajecto de Braga foi substancialmente diferente, como que dando meio época de avanço aos seus adversários. Afinal, até à 11ª jornada, quando perdeu 3-2 no Dragão, o Braga já tinha acumulado quase tantos empates (4) e derrotas (2), como as que registou na época de 2009/2010. Nessa ocasião, encontrava-se a 8 pontos do líder Benfica.
De então para cá, a história é conhecida de todos: 13 vitórias consecutivas (para já) e uma subida a pulso dos degraus de topo da tabela classificativa até ao lugar actual. Neste impressionante registo, o Braga sofreu já tantos golos como em 2009/2010, mas tem também mais 5 golos apontados, muito graças a Lima que, com 19 golos, é igualmente líder da lista dos melhores marcadores.
Com três equipas separadas por dois pontos, mantém-se tudo em aberto em relação ao desenlace da competição, com o toque de pimenta adicional de o calendário reservar para as últimas seis jornadas encontros de elevada dificuldade (entre os candidatos e não só).
Como tantas vezes referi, o bom desempenho desportivo a este nível acaba por arrastar para a cidade o foco das notícias e o interesse de muitos potenciais visitantes, nacionais e internacionais.
No plano estritamente futebolístico, é bom registar a súbita simpatia do adepto isento, o receio dos adversários de maior poderio e recursos e o desdém amarelo dos comentadores alinhados.
Afinal, qualquer que seja o destino da viagem – que nunca terminará na noite do próximo Sábado – há que desfrutar dos prazeres do trajecto… E, para já, somo os primeiros!...

quarta-feira, 14 de março de 2012

Futebol agridoce

A oito jornadas do final do principal campeonato nacional de futebol, três equipas seguem na liderança com apenas um ponto a separá-las e com o aliciante de ainda estarem por realizar vários jogos entre elas e entre estas e outros rivais de peso.
Alguns patamares abaixo, o Marítimo, que assinala uma regularidade extraordinária, e o Sporting, que parece voltar ao nível exibicional do Outono depois da longa quaresma Natalícia, prosseguem uma disputa interessante e terão uma palavra importante na luta dos primeiros.
À medida que se desce na tabela, encontramos vários outros clubes que não têm conseguido manter um desempenho consistente mas que, de forma alternada, vão surpreendendo com actuações de excelente nível, capaz de menorizar qualquer dos favoritos antes referidos.
Hoje, é assim impossível dizer se os jogos decisivos serão aqueles que opõem os candidatos ou se a sua força vai ser sobretudo testada na capacidade de cumprir nos desafios teoricamente menos aliciantes.
Pegando nas curiosas palavras de Bruno César após o último Paços de Ferreira-Benfica, o campeonato “está gostoso”, prometendo uma competitividade que, pese embora os incidentes recorrentes da esfera da arbitragem e não só, promete arrastar-se até à última jornada, proporcionando belos espectáculos e uma disputa capaz de reter adeptos, simpatizantes e curiosos até ao último suspiro da prova.
Bem mais abaixo, também a luta pela manutenção seguia interessante, com um leque alargado de clubes separado por um número reduzido de pontos. Com 24 pontos em jogo e com múltiplas partidas entre as equipas abrangidas, esperava-se igualmente um final de prova emocionante e de sofrimento para os vários clubes envolvidos em tal compita.
Do alto da tabela à sua base, o principal campeonato português estava assim a justificar o elevado posicionamento que conquistou no ranking dos diversos campeonatos de clubes nacionais da IFFHS, em que apenas perde para Espanha, Inglaterra e Brasil.
A este nível, há muito que sou defensor do alargamento do número de participantes nesta prova, retomando o formato já experimentado dos 18 clubes. São múltiplas as razões em que sustento tal opinião, desde a salvaguarda do interesse dos adeptos e dos clubes enquanto entidades empregadoras (que são confrontados com um volume excessivo de pausas competitivas – mesmo para os que participam em competições europeias e se mantêm até etapas mais avançadas das Taças nacionais -), quer pelo impulso que tal opção daria para a sustentabilidade financeira dos clubes menores, quer pela convicção de que tal opção não põe em causa o nível de qualidade / competitividade da prova.
Ora, defender tal alargamento em nada coincide com a opção tomada pela Assembleia-Geral da Liga desta semana, que deveria fazer corar de vergonha os seus proponentes e apoiantes. Deliberar, a oito jornadas do final de uma competição, uma medida como a salvaguarda automática da não despromoção de qualquer clube é, sem qualquer exagero, matar a verdade desportiva dessa prova, por muito que se possa afirmar a dignidade e responsabilidade dos clubes e profissionais envolvidos.
Uma tal decisão e as já anunciadas medidas chantagistas em torno da posição dos visados sobre uma reversão de tal medida por parte da FPF merece do principal órgão do futebol nacional uma única e possível reacção: a reprovação taxativa do modelo antes aprovado.
Uma opção que não deve pôr em causa tal alargamento, mas viabilizar a sua concretização através de uma Liguilha a promover nos moldes tradicionais.

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

A importância da formação


Quem costuma acompanhar a minha colaboração com este espaço teve já oportunidade de conhecer o meu apoio e compromisso para com as políticas de apoio à formação desportiva, enquanto instrumento de fomento da prática desportiva, de ocupação dos tempos livres e de formação social e humana dos nossos jovens.
Para lá dessa perspectiva de cariz “comunitário”, a lógica da valorização da formação desportiva pode ser também entendida enquanto aposta estratégica na identificação e apoio à afirmação de jovens talentos nas diferentes modalidades desportivas.
Afinal, se é certo que há também exemplos de vocações tardias para a prática bem sucedida de diversos desportos, não é de estranhar que a esmagadora maioria dos atletas que atingem o patamar máximo das suas modalidades a nível competitivo tenham seguido um árduo caminho de prática desse desporto desde tenra idade.
Mas, a juntar a estas duas perspectivas, há ainda que ter em conta a questão da competitividade e da sustentabilidade financeira das próprias colectividades, na generalidade das modalidades desportivas, nomeadamente no que concerne ao seu desempenho nas competições seniores, sejam estas profissionais ou amadoras.
Cada vez mais, as dificuldades económicas inerentes à quebra de receitas publicitárias bem assim como do número de espectadores e associados, limita a capacidade de recrutamento de jogadores de maior valia, obrigando a uma aposta crescente na formação “in-house” de atletas de valor ou na optimização dos departamentos ou áreas de prospecção de jovens talentos.
Mesmo numa lógica estritamente financeira, se olharmos para as modalidades em que a prática desportiva e associa a um forte dinamismo económico – o que varia também de país para país -, o êxito e a sobrevivência de muito clubes assenta na capacidade de recrutarem bons jogadores a custo reduzido, promoverem a sua valorização e concretizarem negócios que proporcionem significativas mais-valias.
No caso de clubes de pequena / média dimensão, um bom negócio numa transferência de um atleta dos seus quadros pode proporcionar uma receita equivalente a todo o orçamento de uma dada época.
Se olharmos para clubes de maior nomeada, a capacidade de rentabilização dos avultados investimentos realizados passa também pela capacidade de geração de significativas mais-valias nas transferências dos seus activos, cuja amplitude será tanto maior quanto menor o custo de “aquisição” dos mesmos, o que remete naturalmente para a necessidade de “comprar bem” ou “formar melhor”.
Não será por acaso, aliás, que a nível internacional e tomando como principal exemplo o que se passa no futebol (embora não em exclusivo nesta modalidade) se vê uma aposta crescente de recrutamento de atletas dos principais mercados fornecedores (África, América do Sul e mesmo os países da segunda linha do futebol Europeu) para engrossar as próprias fileiras das equipas da formação.
Além desse aspecto estratégico há ainda que ter em conta as condicionantes impostas na inscrição das equipas nas principais competições de clubes europeias, como acontece com os requisitos existentes ao nível dos designados “atletas formados localmente”.
Por qualquer das razões anteriores, parece claro que é do interesse de Braga e do Sporting Clube de Braga uma aposta crescente na formação desportiva, capaz de potenciar a realização de mais-valias financeiras e a integração de atletas nas equipas principais.
E, porque não, como agora acontece com a equipa de Juniores, para lutar pela conquista de títulos nacionais…

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

Investir no Desporto

O desporto na cidade de Braga voltou durante a última semana à ribalta noticiosa a nível nacional, mas desta feita sem ser por via dos méritos de uma das suas colectividades mais representativas.
Pelo contrário, embora com protagonistas individuais bem identificados, desta feita destacou-se o desporto colectivo não reconhecido pelo Comité Olímpico em que Portugal tem sido pródigo ao longo dos últimos anos, vulgarmente conhecido como o “lançamento de dinheiro pela janela”.
Na megalómana piscina olímpica bracarense, que tinha um orçamento previsto de 25 (leu bem, Vinte e Cinco) milhões de Euros, a Autarquia investiu já 8 milhões, mas chegou agora à conclusão que a mesma é hoje economicamente insustentável devido aos custos de “manutenção energética”.
Ora, se há males que vêm por bem, e esta súbita lucidez da gestão socialista impede o desbarato de mais recursos públicos, é claro perceber que este investimento jamais fazia sentido, quer ao nível do custo do investimento inicial, quer ao nível dos custos de utilização futura, não se devendo agravar ainda mais o erro com a justificação da enorme quantia já investida.
Consegue imaginar o que seria possível fazer com esses mesmos oito milhões de Euros? Em matéria de infra-estruturas económicas, de equipamentos sociais, de projectos de reabilitação e qualificação urbana ou de valorização ambiental?
Ou, sem sair da mesma esfera de intervenção, compreende que bastariam esses mesmos oito milhões de Euros para construir duas piscinas olímpicas de enorme qualidade, como aquelas que estão hoje em funcionamento em diversos pontos do País?
E, permita-me a discordância com a opinião expressa pelo Vice-Presidente da Câmara, Braga precisa ainda de qualificar a sua oferta em termos de equipamentos desportivos para a prática da natação, quer a nível competitivo, quer para a prática generalizada pela população. Como carece, cumpre lembrar, do famigerado Pavilhão Multiusos que constava do Programa original do Parque Norte e que nunca chegou a sair do papel…
Ao longo da última década, Braga deve estar no top das Autarquias que mais investiram no Desporto, não tanto por força dos contratos-programa celebrados (apenas) com meia dúzia de colectividades desportivas, mas sobretudo pelos muitos milhões de Euros despendidos com infra-estruturas desportivas.
Cento e Cinquenta Milhões de Euros no novo Estádio Municipal. Oito Milhões de Euros na estrutura da dita Piscina Olímpica. Cerca de Trinta Milhões de Euros no quadro da Parceria Público-Privada, que viabilizou a colocação de duas dezenas de relvados sintéticos, a realização de melhoramentos em diversos parques desportivos e a construção de novo pavilhões em algumas Freguesias.
Cento e Noventa Milhões de Euros depois - que os Bracarenses cuidarão de pagar ao longo das próximas duas décadas -, cumpre perguntar: o que ficou? Será que este investimento foi verdadeiramente qualificante da prática desportiva concelhia? Aumentou o número de praticantes? Promoveu-se a prática eclética de novas modalidades? Conseguiram-se melhores resultados desportivos? Aumentou-se o potencial de angariação de receitas pelas diferentes colectividades, no saldo líquido com os custos de manutenção agravados que vão ter que suportar? Respondeu-se às necessidades específicas de cada parcela do território local?
A resposta a todas estas questões parece ser claramente negativa, sobressaindo este último aspecto da total ausência de um planeamento racional dos investimentos realizados e da sua coerente distribuição pelo Concelho.