quinta-feira, 29 de dezembro de 2011

Um ano (?) num só dia

Ao fazer o balanço do ano desportivo de 2011 é incontornável fixarmo-nos no dia 18 de Maio, com a particularidade de o evento que teve lugar nesse dia ter ocorrido a alguns milhares de quilómetros daqui mas ter sido um dos mais relevantes feitos da história do desporto nacional.
A final da Liga Europa de futebol que teve lugar no Estádio Aviva (a Dublin Arena) na Irlanda, foi a 14ª partida decisiva de uma competição europeia desta modalidade que reuniu equipas do mesmo país, algo apenas alcançado pelos habituais clientes do topo do ranking europeu de clubes: Espanha, Itália, Alemanha e Inglaterra.
Aliás, não será por acaso que a partida entre o Sporting Clube de Braga e o Futebol Clube do Porto teve lugar no ano em que Portugal disputa o 5º lugar desse ranking com a França, podendo vir a beneficiar da participação de mais clubes nas mais importantes provas caso venha a superar o seu adversário nesta disputa particular.
Sob esse prisma, esta final foi o corolário mais recente do reforço da competitividade do campeonato nacional de futebol no panorama europeu, ao ponto de ver quatro dos seus principais clubes a pedir meças aos colossos europeus nas diferentes competições, como mais uma vez volta a acontecer esta época com a participação de Benfica (nos oitavos de final da Liga dos Campeões) e de Porto, Sporting e Braga (nos dezasseis avos de final da Liga Europa).
A outros níveis, esse aumento de competitividade reflecte-se também numa capacidade de investimento inusitada, em claro contra-ciclo com a realidade económica portuguesa, que tem também possibilitado a captação de jogadores de topo das principais selecções mundiais e atenuar os impactos desportivos do habitual êxodo dos melhores jogadores (e treinadores) nacionais.
Na mesma linha, poder-se-á dizer que o futebol dos clubes nacionais consegue assim manter-se ao nível da respectiva Selecção, a qual, apesar dos percalços verificados no percurso, nomeadamente na Era Queirosiana, lá conseguiu carimbar mais uma participação numa grande competição internacional – o Europeu de Futebol de 2012, a última da Era Madaíl na Federação Portuguesa de Futebol.
Mas, voltando ao dia 18 de Maio último, será porventura injusto traduzir este marco num fenómeno colectivo do futebol profissional português sem precisar o contributo de cada um dos participantes nesse dia histórico.
Em bom rigor, a base dessa afirmação do futebol nacional é precisamente o crescimento sustentado de cada um dos seus protagonistas, e, de forma particular dos dois que estiveram envolvidos nessa partida.
Se as conquistas recentes fazem do Porto um habitué destes palcos, o Sporting Clube de Braga terá vivido o momento da sua emancipação europeia: se alguns podem insistir em transformar esse episódio no mero fruto do acaso, o percurso da equipa até Dublin e o historial recente nos planos nacional e internacional fazem do Sporting Clube de Braga um adversário de respeito para qualquer adversário, imune às mudanças de treinador e à incrível (e rentável) rotação dos planteis.
Pessoalmente, depois da enorme desilusão vivida a 4 de Julho de 2004, no Estádio da Luz, na final do “nosso” Euro-2004, o dia 18 de Maio fica associado a dois momentos tão singulares quanto frustrantes, ao ver conquistas tão importantes a escapar por entre os dedos.
Mas, Alvalade 2005 e Dublin 2011 não são momentos que marquem um ano. São dias que marcam uma vida. Mesmo na certeza, que tenho, de que se vão voltar a repetir…

sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

Desporto Adaptado em Braga

A Câmara Municipal de Braga, em colaboração com o Fórum Municipal da Pessoa com Deficiência, organizou na pretérita semana a VI edição da “Semana do Desporto Adaptado”, envolvendo algumas centenas de atletas das diferentes modalidades, como o basquetebol em cadeiras de roda, o andebol, o atletismo, o goalball ou o boccia.
Na Nota distribuída pelas Instituições participantes, podia ler-se que este era um “momento privilegiado para criar sinergias e motivações em torno do cidadão com deficiência, tendo por fulcro a prática da actividade física e desportiva”, de forma a “envolver e estimular o desenvolvimento desportivo do Concelho, na Escola, no Clube, na Associação ou na Instituição”.
Mais, sugeria-se que, se “nas edições anteriores se procurou criar um movimento que fizesse acontecer um evento regular no nosso concelho” e provocasse “um olhar sistemático da comunidade sobre esta problemática específica, da actividade física e desportiva para o cidadão com deficiência”, esta edição visava ficar “como sustento de um desenvolvimento que importa realizar”.
Ora, estas palavras não poderiam ser mais acertadas e bom seria que, desta feita, as mesmas deixassem de ser a mera expressão de uma boa intenção para conduzirem a iniciativas concretas com este objectivo.
Braga é hoje uma cidade que é já uma referência neste domínio, não apenas pelo sucesso das sucessivas “Semanas” mas sobretudo pela expressão competitiva que é possibilitada pela actividade desenvolvida por diversas entidades.
Sem ser exaustivo, e apenas a título de exemplo, além dos distintos atletas já galardoados da APD e da APPC, a equipa de basquetebol em cadeira de rodas da APD foi vice-campeã nacional nas duas últimas épocas e até o Sporting Clube de Braga criou em 2009 a sua Secção de Desporto Adaptado, que tem coleccionado diversos títulos.
Todavia, tal como em relação à generalidade dos cidadãos, a prática desportiva regular tem méritos que vão muito para lá dos desempenhos competitivos, devendo ser propiciada a toda a população, com a particularidade de estes casos poderem exigir o devido acompanhamento técnico e humano além da mera disponibilização dos equipamentos.
Em contrapartida, sabe-se que a prática desportiva é um excelente contributo para a (re)integração dos cidadãos com mobilidade reduzida na vida activa, quer do ponto de vista físico, quer do ponto de vista dos estímulos à superação das suas limitações e à afirmação do seu potencial pleno.
Neste prisma, a prática desportiva dos cidadãos com necessidades especiais é também uma extraordinária referência para a população mais jovem, razão pela qual deve continuar a estimular-se a ligação destas actividades com a comunidade escolar.
Tendo precisamente em conta que a percentagem de cidadãos portadores de qualquer tipo de deficiência que pratica desporto a nível competitivo é extremamente reduzida, urge criar incentivos à generalização do acesso à prática do desporto adaptado por uma parcela maioritária deste segmento da população.
Ora, esta é uma responsabilidade partilhada pelo Estado Central, pelas Autarquias Locais, pelas Instituições que actuam na esfera social com respostas dirigidas a esta população, pelo tecido empresarial e pela sociedade em geral.
Para que se possa ter cada vez mais e melhores notícias sobre o Desporto Adaptado em Braga, nas demais 51 semanas do ano.

quarta-feira, 30 de novembro de 2011

Jovens Talentos?

Na linha de várias outras declarações públicas de responsáveis de todos os quadrantes políticos e de dirigentes empresariais e académicos, também o Ministro Miguel Relvas – que tutela a pasta da Juventude do actual Governo, defendeu em Braga que “esta é a geração mais bem preparada da história para ter sucesso. Mas a verdade é que não temos sido capazes de proporcionar aos jovens a possibilidade de poderem integrar a vida activa no seu País”.
Estas declarações foram proferidas na Sessão Oficial de Abertura da iniciativa “Jovens Talentos”, uma realização da responsabilidade da Secretaria de Estado do Desporto e da Juventude que tem como objectivo “dar a conhecer o trabalho dos jovens que mais se distinguem nas mais variadas áreas e que, na maioria dos casos, são desconhecidos para a maioria dos portugueses”. Curiosamente, entre o grupo de jovens que Sábado foram apresentados como exemplo de talento nos diversos domínios apenas se encontra um desportista: Hugo Chapouto, arquitecto e campeão mundial de patinagem artística.
Portugal é, ainda assim, um país em que ainda proliferam os “talentos” no campo desportivo, sendo também verdade que os mesmos dificilmente conseguem a sua afirmação plena intra-muros.
Não é assim por acaso que muitos dos nossos jovens de maior potencial são induzidos a desenvolver a sua preparação (e as suas carreiras profissionais no exterior), quer por força das melhores condições de treino e desenvolvimento das suas capacidades, quer por via das mais atractivas condições remuneratórias que lhes são disponibilizadas.
De forma transversal a todas as modalidades mas com exemplos clarividentes no futebol, no ténis, nos desportos motorizados, no atletismo, no andebol, no hóquei em patins, na natação, etc., Portugal é há muito um país exportador de jovens talentos desportivos.
Neste fenómeno há todavia que destrinçar entre aquilo que é o impulso natural dos visados face às ditas melhores condições proporcionadas pelo exterior e aquilo que – de forma mais próxima com o que se passa nos outros sectores de actividade – resulta da efectiva indisponibilidade de oportunidades para a afirmação do seu talento no País natal.
Nesta perspectiva, a primeira vertente tem que ser “atacada” com políticas proactivas ao nível da qualidade das infra-estruturas disponíveis, da qualificação dos méis técnicos e humanos, das abordagens do desporto escolar e universitário, das iniciativas locais e nacionais de apoio à formação desportiva e demais factores que aportem contributos para o reforço da competitividade dos nossos atletas.
Quanto à segunda questão, a mesma sente-se de forma galopante nas modalidades colectivas por via da flexibilização das regulamentações, abrindo campo à apresentação de equipas integralmente compostas por estrangeiros que vedam o acesso aos nossos atletas de maior potencial. Mais uma vez, de forma cada vez mais transversal às diferentes modalidades.
Ora, o esmagamento do período de afirmação e maturação dos nossos atletas tem tido reflexos claramente negativos nas camadas jovens das diferentes selecções e condiciona em larga escala o sucesso futuro das selecções principais.
Não será por acaso que, nos Jogos Olímpicos de 2012, em Londres, será residual o conjunto de participações de portugueses em desportos colectivos, na sua maioria concentrados em desportos náuticos.
É que, no que concerne a dar oportunidades aos seus jovens talentos, Portugal continua a meter água… Até quando?

quarta-feira, 16 de novembro de 2011

O futebol em Portugal - d. M.

As eleições para a Direcção da Federação Portuguesa de Futebol do próximo mês de Dezembro marcam necessariamente um ponto de viragem nesta estrutura associativa da principal modalidade desportiva no nosso País.
Afinal, cessará funções o seu actual Presidente, Gilberto Madaíl, cujo mandato se prolonga há já 15 anos, coincidindo com o período de maior sucesso e prestígio da selecção nacional de futebol, o “Clube Portugal” como entretanto passou a designar-se.
Em verdade, se todos podemos recordar a presença nos Mundiais de 66 (Inglaterra) e 86 (México) – ainda que com desempenhos radicalmente opostos – foi sob a égide de Madaíl que a Selecção Nacional marcou presença em todas as demais competições internacionais, do Euro-96 (Inglaterra, novamente) ao Mundial de 2010 (da África do Sul), com excepção do Mundial de 98 (de cuja qualificação não podemos esquecer o nome de Marc Batta, indelevelmente associado ao empate com a Alemanha no jogo decisivo).
De então para cá, a Selecção Portuguesa juntou-se ao restrito clube da elite internacional que marcou presença em todas as competições e, em boa parte dos casos, em condições de disputar as provas e com desempenhos globalmente positivos, ainda que, por razões várias, aquém do que seria possível esperar em algumas dessas situações.
Dai que vejamos a quase totalidade da dita “Geração de Ouro” do futebol português a pendurar as chuteiras sem que qualquer troféu tenha sido trazido para o nosso País, ou aqui retido como podia (e devia) ter acontecido no Euro-2004.
Ao longo desta década e meia, novos valores emergiram e a Selecção Nacional conseguiu guindar-se a um elevado patamar de qualidade futebolística, de desempenho desportivo e de retorno financeiro, transformando esta vertente da actuação da Federação numa verdadeira máquina de fazer dinheiro, capaz mesmo de compensar os “luxos” novo-riquistas exibidos em múltiplas circunstâncias, como mais uma vez ficou patente no Estágio que antecedeu o Mundial da África do Sul.
Antes, já a Selecção se demonstrara capaz de atrair e remunerar – também com o apoio de parceiros empresariais – um treinador com a cotação internacional do então Campeão do Mundo, Luiz Felipe Scolari, com o qual viveu também um dos períodos de maior mobilização popular dos tempos recentes.
Também sob a égide de Gilberto Madaíl, a Selecção Nacional abriu-se a uma primeira vaga de “naturalizações de jogadores nascidos no Brasil”, em linha com a tendência de globalização que marca a generalidade das modalidades em quase todos os países mundiais.
No reverso da medalha, o período de gestão de Madaíl ficou marcado por várias ocorrências menos abonatórias para a imagem da Selecção, as quais – como mais uma vez aconteceu há bem pouco tempo – nunca mereceram uma atitude credibilizadora, disciplinadora e exemplar de quem decide na estrutura federativa. À cabeça destes episódios, a agressão de Scolari a um jogador sérvio foi o exemplo claro da prioridade dada à vertente económica da gestão da Selecção Nacional em detrimento de outros valores porventura exigíveis e mais relevantes.
Com o futebol profissional doméstico entregue à respectiva Liga desde momento anterior à chegada de Madaíl, a gestão do actual Presidente da FPF ficou marcada pela indefinição e falta de consenso em torno dos modelos competitivos dos demais patamares do futebol nacional e por sucessivas queixas da falta de apoio cabal à formação desportiva.
Para lá destes e dos múltiplos problemas que se arrastam há décadas, por exemplo, ao nível da representatividade internacional, da arbitragem, das infra-estruturas, da formação dos dirigentes e demais agentes desportivos, a nova Direcção da FPF também terá que lidar com a emergência e novos fenómenos, como o futebol feminino ou a dinâmica crescente do Futsal.
Mas, estou certo, tudo o mais será perdoado, assim a Selecção Nacional seja capaz de conquistar o título que persegue, se possível, já na final de Kiev, em Julho de 2012.

sábado, 5 de novembro de 2011

As contas das SAD

O julgamento do presidente e administradores da União de Leiria SAD pelo crime de abuso de confiança fiscal na forma continuada que esta semana começou no Tribunal de Leiria, merece especial destaque por força do testemunho da Técnica Oficial de Contas Leiriense que revelou que a sociedade terá dificuldades em manter a sua actividade.
Embora a existência das Sociedades Anónimas Desportivas conte já com mais de uma década no nosso País, a verdade é que nos deparamos ainda hoje com múltiplas realidades, desde clubes que agora pretendem enveredar por este modelo, a situações de pré-insolvência como a antes referida, aos bem mais significativos desempenhos das SAD dos principais clubes.
Em relação a estas, o diagnóstico há muito que estava traçado: de uma forma geral, os pesados encargos suportados com o seu funcionamento, com o seu passivo bancário e com os custos associados aos enormes investimentos realizados (nos seus estádios, pavilhões e centros de estágio e treino) só conseguem ser compensados por uma de duas vias: ou através de desempenhos excepcionais na vertente desportiva, nomeadamente em sede de competições europeias e da Liga dos Campeões de forma particular, ou através de alienação dos seus activos (jogadores ou treinadores).
Ainda do lado dos custos / investimento há ainda que acrescer às parcelas antes enunciadas o próprio investimento na contratação de recursos que possam contribuir para o tal sucesso desportivo e o concomitante resultado financeiro.
A gestão de uma Sociedade Anónima Desportiva é assim feita nesse ténue equilíbrio entre os custos “fixos” estruturalmente assumidos, as opções de investimento adoptadas para cada momento e o resultado alcançado, que sempre depende de contingências múltiplas, bastas vezes fora do seu controlo.
Há aqui uma verdadeira dialéctica financeira entre o “risco” que se pretende assumir – traduzido nos investimentos em recursos de maior qualidade que poderão potenciar o desejado sucesso desportivo – e o “retorno” que dos mesmos poderão advir, assim se conjuguem favoravelmente os diversos factores que o podem viabilizar.
Pela positiva, dir-se-ia que o sucesso é auto-sustentável: os bons resultados desportivos, trazem proveitos financeiros, valorizam os recursos, potenciam transacções e atraem o apetite de recursos de maior qualidade.
Neste caso, a chave do êxito assenta na capacidade de garantir a substituição dos recursos alienados por outros de qualidade idêntica, através de formação interna ou de uma área de prospecção capaz.
Da mesma forma, um trajecto de insucesso transforma-se numa espécie de ciclo vicioso: a ausência de resultados condiciona o potencial de angariação de receitas, desvaloriza os recursos e desincentiva a realização de novos investimentos. A solução para reverter este trajecto não é facilmente identificável ou não é financeiramente exequível, mais a mais na actual conjuntura.
Se é fácil fazer associações entre estes estereótipos e a nossa realidade envolvente, é também importante que os responsáveis das diferentes SAD saibam estar atentos aos bons e aos maus exemplos, de forma a beber as melhores práticas e a evitar as opções insustentáveis.
No que nos diz mais directamente respeito, só podemos congratularmo-nos pelo progresso sustentado que a SAD do Braga vem registando, conjugando o crescimento desportivo com o desejável desempenho financeiro (que possibilita a obtenção de resultados positivos, a amortização do passivo acumulado, a sustentação de orçamentos mais ambiciosos e a libertação de meios para a concretização de projectos mais arrojados).

quarta-feira, 19 de outubro de 2011

De novo, a Academia Desportiva do Braga

Há cerca de quatro anos, no âmbito de um processo eleitoral interno do clube, o então e actual Presidente do Sporting Clube de Braga, António Salvador, assumiu publicamente o desígnio da construção de uma Academia Desportiva à imagem do que hoje acontece com os principais clubes mundiais, nas mais diversas modalidades.
Contra as expectativas de muitos e perante o incómodo de alguns, escrevi neste mesmo espaço um artigo a 12 de Outubro de 2007 em que dava o meu apoio público a esse projecto que reputei de “pilar fundamental para o crescimento desportivo e financeiro do Clube” e de “importante contributo para a estruturação de uma verdadeira política desportiva municipal”.
Tal artigo e outras posições públicas subsequentes assumidas pela Coligação sobre este projecto estão disponíveis quer no meu blog (em http://bracara2009.blogspot.com/) quer, creio, em remissões que para as mesmas foram efectuadas no principal forum dos adeptos do Clube (em http://www.superbraga.com/).
Escuso-me, pois, de voltar a reproduzir todos os argumentos que já apresentei e que entendo serem justificações para a assunção desse projecto pelo Clube e para a participação activa na sua concretização da parte da Autarquia.
Nesta última vertente, clarifico e reitero apenas a posição que assumimos desde a primeira hora, ao defendermos que não compete à Câmara Municipal “patrocinar integral ou significativamente a Academia do Clube”. Antes, a participação da Câmara Municipal deve restringir-se “ao apoio na obtenção dos terrenos necessários e a outras medidas de cariz simbólico dentro da sua esfera de competências, mediante um processo claro, transparente e com diversas salvaguardas”.
Sem avanços de monta ao longo dos últimos quatro anos – com a excepção das diversas versões do respectivo projecto arquitectónico e do recrutamento do Prof. Agostinho Oliveira em Janeiro último como coordenador da formação do Clube -, a Academia Desportiva do Braga pode agora sofrer um real impulso.
Recentemente, António Salvador terá apresentado a versão actual do projecto ao Presidente da Câmara Municipal de Braga e expresso os anseios do Clube em matéria de apoios municipais, a consubstanciar na oferta do correspondente terreno onde o mesmo será implantado.
Quando interpelado há uma semana pelo Vice-Presidente Vítor Sousa em relação a esta questão anuí no procedimento decidido pelo Presidente da Autarquia e pela maioria socialista: confrontado com a indisponibilidade de terrenos municipais que cumprissem com os requisitos inerentes ao projecto, deveria a Autarquia proceder a uma consulta do mercado para aferir das respectivas condições de aquisição.
Recorde-se que este tipo de procedimento é o mais transparente possível, garante uma maior abertura na auscultação de potenciais interessados e, sem compromisso de aquisição, confere informação concreta para suportar o processo de decisão municipal.
Pena foi, aliás, que a Câmara de Braga não tivesse seguido a mesma prática há quase uma década em relação ao projecto Tech-Valley da Associação Industrial do Minho e não o tivesse também feito mais recentemente em relação ao pedido de identificação de uma área mais ampla efectuado pela Administração da Bracalândia.
Desta feita, porém, em anúncios insertos nas primeiras páginas dos jornais Diário do Minho e Correio do Minho do passado dia 14, podia ler-se: “A Câmara Municipal de Braga torna público o interesse em adquirir na área do concelho de Braga, um terreno com a área aproximada de 15 hectares. O referido terreno deve ter uma estrutura de fácil acessibilidade e uma topografia o mais plano possível. A proposta deve conter: identificação do proprietário, registo da conservatória, preço total, área do terreno, planta de localização, planta topográfica (altimétrica), condições de pagamento, outros documentos comprovativos.(…)
Apenas a data para apresentação de propostas (8 dias) me parece claramente desajustada.
Este foi, porém, o primeiro passo. Conhecidos os valores exigidos pelos oferentes impõe-se uma discussão alargada e pública sobre as condições concretas desta parceria, em matéria de direitos e deveres consagrados às partes para o futuro.
Deverá a Autarquia custear integralmente o terreno em questão? Ficará o Sporting Clube de Braga com aceso às infra-estruturas municipais de que hoje usufrui nos escalões de formação? Continuará a beneficiar do contrato-programa anual celebrado com o Município? Facultará o acesso de outras colectividades aos meios técnicos de que irá dispor na Academia? Participará a Autarquia nos proveitos financeiros resultantes da exploração económica (turística e imobiliária do projecto)?
Pessoalmente, não tenho uma resposta única e isolada para qualquer dessas questões. Mas creio que as mesmas devem merecer uma reflexão cuidada e um amplo debate público para que este meritório projecto o seja para todo o Concelho, tão breve quanto possível.

quinta-feira, 6 de outubro de 2011

Ainda o apoio à formação desportiva

Num meio (o do Desporto) em que o hoje é verdade amanhã costuma ser mentira, permito-me retomar a colaboração com este espaço de opinião sobre as temáticas desportivas com um tema que me é particularmente caro e em que preservo a mesma opinião de há já vários anos a esta parte: os apoios públicos à formação desportiva.
Na agenda da reunião do Executivo Municipal de Braga desta semana encontra-se um Contrato-Programa com o ABC de Braga que ascende aos 400.000 Euros, precisamente para o apoio à formação desportiva promovida por esta relevante colectividade Bracarense na modalidade de Andebol junto de algumas centenas de jovens atletas locais. O contrato em questão corresponde aos apoios municipais para as próximas duas épocas desportivas.
Como é sabido, a Câmara Municipal de Braga celebra também um contrato anual com o Sporting Clube de Braga que ascende ao dobro deste valor e tem também Contratos-Programa em vigor com o Hóquei Clube de Braga e o Merelinense Futebol Clube.
A estes apoios directos, juntam-se outros apoios muito pontuais, de valores substancialmente inferiores e normalmente dissimulados de colaborações financeiras na organização de determinados eventos, a outras colectividades locais, predominantemente orientadas para a modalidade de futebol.
Como tantas e tantas vezes pude frisar, apesar de lamentar que estes apoios não sigam uma lógica de atribuição mais transparente – regulamentada, até -, jamais questionei a justeza dos mesmos, enfatizando apenas a necessidade de que esta política pudesse abranger várias outras colectividades Bracarenses, de diferentes Freguesias, inclusive de outras modalidades, que prestam um serviço igualmente valoroso na formação social e humana dos nossos jovens.
A aprovação unânime dos apoios atribuídos em sede de Executivo Municipal e os múltiplos reparos à omissão dos demais clubes que apostam nas camadas jovens devia levar a maioria socialista a reflectir seriamente sobre esta matéria.
E, se a mesma pode alegar que poucos concelhos dispõem de infra-estruturas desportivas com a qualidade daquelas que Braga hoje exibe, poder-se-á perguntar se o maior contributo para a prossecução das actividades destes clubes advém dessas infra-estruturas ou de outros meios, imateriais até, em que poderiam ser convertidos os apoios financeiros resultantes dos eventuais contratos-programa a celebrar com a Autarquia.
Aliás, basta atender ao facto de que o potencial de rendibilização desses equipamentos diminui em linha com a degradação do poder de compra e com o agravamento dos custos da sua manutenção, para perceber que em muitas circunstâncias os mesmos são verdadeiros “presentes envenenados”.
A juntar a estes aspectos, há que registar a estóica emergência de novas colectividades em modalidades diferenciadoras, como recentemente sucedeu com os Maximinos Warriors (Futebol Americano) e o o Braga Rugby, que já movimentam algumas dezenas de atletas e participam ou pretendem participar em competições de cariz oficial.
Por todos estes motivos, a aproximação da Capital Europeia da Juventude – Braga 2012 devia ser também um momento de reorientação das políticas municipais nesta esfera, em tributo aos jovens de Braga e como forma de compromisso com o futuro do nosso Concelho.