sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

Desporto Adaptado em Braga

A Câmara Municipal de Braga, em colaboração com o Fórum Municipal da Pessoa com Deficiência, organizou na pretérita semana a VI edição da “Semana do Desporto Adaptado”, envolvendo algumas centenas de atletas das diferentes modalidades, como o basquetebol em cadeiras de roda, o andebol, o atletismo, o goalball ou o boccia.
Na Nota distribuída pelas Instituições participantes, podia ler-se que este era um “momento privilegiado para criar sinergias e motivações em torno do cidadão com deficiência, tendo por fulcro a prática da actividade física e desportiva”, de forma a “envolver e estimular o desenvolvimento desportivo do Concelho, na Escola, no Clube, na Associação ou na Instituição”.
Mais, sugeria-se que, se “nas edições anteriores se procurou criar um movimento que fizesse acontecer um evento regular no nosso concelho” e provocasse “um olhar sistemático da comunidade sobre esta problemática específica, da actividade física e desportiva para o cidadão com deficiência”, esta edição visava ficar “como sustento de um desenvolvimento que importa realizar”.
Ora, estas palavras não poderiam ser mais acertadas e bom seria que, desta feita, as mesmas deixassem de ser a mera expressão de uma boa intenção para conduzirem a iniciativas concretas com este objectivo.
Braga é hoje uma cidade que é já uma referência neste domínio, não apenas pelo sucesso das sucessivas “Semanas” mas sobretudo pela expressão competitiva que é possibilitada pela actividade desenvolvida por diversas entidades.
Sem ser exaustivo, e apenas a título de exemplo, além dos distintos atletas já galardoados da APD e da APPC, a equipa de basquetebol em cadeira de rodas da APD foi vice-campeã nacional nas duas últimas épocas e até o Sporting Clube de Braga criou em 2009 a sua Secção de Desporto Adaptado, que tem coleccionado diversos títulos.
Todavia, tal como em relação à generalidade dos cidadãos, a prática desportiva regular tem méritos que vão muito para lá dos desempenhos competitivos, devendo ser propiciada a toda a população, com a particularidade de estes casos poderem exigir o devido acompanhamento técnico e humano além da mera disponibilização dos equipamentos.
Em contrapartida, sabe-se que a prática desportiva é um excelente contributo para a (re)integração dos cidadãos com mobilidade reduzida na vida activa, quer do ponto de vista físico, quer do ponto de vista dos estímulos à superação das suas limitações e à afirmação do seu potencial pleno.
Neste prisma, a prática desportiva dos cidadãos com necessidades especiais é também uma extraordinária referência para a população mais jovem, razão pela qual deve continuar a estimular-se a ligação destas actividades com a comunidade escolar.
Tendo precisamente em conta que a percentagem de cidadãos portadores de qualquer tipo de deficiência que pratica desporto a nível competitivo é extremamente reduzida, urge criar incentivos à generalização do acesso à prática do desporto adaptado por uma parcela maioritária deste segmento da população.
Ora, esta é uma responsabilidade partilhada pelo Estado Central, pelas Autarquias Locais, pelas Instituições que actuam na esfera social com respostas dirigidas a esta população, pelo tecido empresarial e pela sociedade em geral.
Para que se possa ter cada vez mais e melhores notícias sobre o Desporto Adaptado em Braga, nas demais 51 semanas do ano.

3 comentários:

Mário Relvas disse...

Caro Dr. Ricardo Rio, gostei de ler as suas palavras. Como sabe, tenho lutado muito pela integração das pessoas especiais em Portugal e em especial na nossa sociedade bracarense. Que esta semana se transforme num movimento diário de desporto e animação para os meninos, jovens e adultos diferentes, numa competição salutar pela inclusão e pela sua saúde.
Bem Haja e Feliz Natal para si e família!

Alice Amaro disse...

Boa noite, desde já louvo a criação deste artigo.
Um olhar sempre atento Dr. Ricardo Rio.
Sou uma bracarense a estudar na UTAD e que recentemente no âmbito do meu curso de desporto, trabalhei de perto com uma equipa, que infelizmente poucos, ainda não dão o devido valor, inclusive o próprio Dr. Ricardo Rio. Falo da equipa da APD Braga. Convido alguns políticos a acompanharem de perto o seu projecto desportivo, que é único, a nível nacional. Temos na nossa cidade, o maior polo de desporto adaptado para a área motora, que acolhe atletas de 4 distritos distintos. deixo uma questão ao Dr. Ricardo. Sabia que esta Instituição de Solidariedade Social, tem que pagar todos os meses um valor na casa dos 500€ para poderes ter acesso ao Pavilhão MUNICIPAL de Lamaçães? Sabia que é o único projeto desportivo nacional que não conta com qualquer apoio a nível estatal?

Seria interessante levarem o tema a uma Assembleia Municipal e saber o porque de por exemplo o SCB contar anualmente com uma verba da camara municipal, para pagarem o mencionado pavilhão, e as instituições de solidariedade social (como a APD Braga), terem que puxar da sua criatividade junto de parceiros privados, para conseguirem as verbas necessárias para poderem pagar à Câmara Municipal de Braga. É um absurdo!

Como foi mencionado e bem esta equipa sagrou-se pelo segundo ano consecutivo, vice-campeão nacional.
Quanto à semana de Desporto Adaptado (que se realiza anualmente em Braga) é uma autentica peça de teatro, da autarquia. Quem viveu de perto a realidade destas instituições, sinto-me revoltada, com determinados artigos que um senhor Cardoso escreve. Devia ter vergonha!

Deixo o meu contacto, para me contactarem no sentido de a verdade vir ao de cima!

alice-amaro@live.com.pt

Anónimo disse...

Subscrevo.
Já é tempo de existir um plano de apoio às atividade física adaptada no nosso concelho, que olhe para todos os âmbitos recreativos, formativos, higiénicos e competitivos, como ainda não há.
Das palavras aos actos, pela luta da dignidade da pessoa com deficiência e pela não menorização da sua relação com o desporto e com o corpo.